sábado, 29 de outubro de 2011

FATO OCORRIDO EM 1970 - PROTÁSIO "BRIZOLA"WILHELM

Recebi a visita do Protásio Wilhelm.
 Formado em 70, de fortes traços germânicos e pensamentos de esquerda, ganhou o apelido de Brizola, por um caso especial.
 Era a Semana da Pátria de 1970, em pleno rigor do regime militar. Tinha na Escola o ritual do hasteamento da bandeira de manhã e arriamento à tarde. Em cada cerimônia alguns alunos eram escalados para uma poesia, uma música ou um texto qualquer.
 Por um planejamento inadequado, escolheram o Protásio para um discurso no hasteamento.
 Infeliz idéia!
 O alemão veio com um discurso escrito em folhas de caderno, planejado e de conteúdo altamente esquerdista, totalmente impróprio para a época da ditadura militar, sobretudo numa cerimônia cívica de hasteamento da bandeira.
 Ninguém ousou interromper o discurso.
 No dia seguinte, um veículo verde-oliva do Exército entrou na Escola e levaram o Protásio. Interrogação, gritos, chutes na canela, e o alemão pernoitou no quartel.
 Foi o Frei Clarêncio (nome da época) quem o salvou no dia seguinte, levando um advogado e pedindo clemência. Só assim o Protásio foi solto. Mas ficou fichado no DOPS e ainda teve problemas nos anos seguintes, com a retenção do Certificado de Quitação Militar e tendo que prestar outros depoimentos.


Ledo F. Daruy - São Luiz Gonzaga

Um comentário:

  1. Amigo Ledo e amigo Protásio!
    Eu era muito alienada na escola sobre a política do meu país.Mas... o meu Pai(era da direita) professor e lider rural e tinha seus passos vigiados em Cerro Largo.Meu irmão Lelo através de um requerimento protocolado na Agência Brasileira de Inteligência do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, conseguiu uma certidão e documentos "confidênciais" dos passos do nosso pai na região das Missões.
    Protásio!pelos documentos o meu Pai foi seguido até o dia abertura.
    Abraços da Daio

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