quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O BAILE DO CABIDE - ANO 1973

"DEUS NÃO DANÇA MAS MANDA OS ANJOS CUIDAR".
      (AUTOR DESCONHECIDO)

Naquela época, as tardes de  quarta-feira  eram sempre muito esperadas.  Alguns queriam ir ao centro comprar cadernos e livros,  outros roupas (quem tinha grana) e outros  organizar os trabalhos, limpar os armários, lavar as roupas mais 'leves",  participar de "peladas de futebol" e  trabalhar nos departamentos do Cejai .
Decorria o ano de 1973,o diretor do IMERAB era o professor MAURO MIRON, muito  disciplinado,competente,respeitoso,exigente , era assim que eu o via.
Aconteceu  um "bailéco"  no segundo semestre, lá pelas 15:00 hs.  Alguns  mandioqueiros  conversavam  no pátio da escola, quando  alguém, não mais que alguém, sugeriu fazer-se um baile na sala da 2ª série do Normal,  tipo assim:  " baile do cabide" , só de guris (imaginem)... Imediatamente convocaram o gaiteiro um violeiro e um pandeirista,   Ora, baile do cabide que se preza  pecisa ter música  boa .
Não demorou muito e a  acordiona  deu os primeiros acordes   enveredando-se para um tango (capricho cigano), levando uns 10 minutos para terminar.
Quando a velha gaita  encostou o fole, para uma pausa,    observou-se mais claramente o estado (físico) dos participantes. Rostos avermelhados num tangaço  compassado , e  o calor da sala fechada, naturalmente o ar já era rarefeito, para alguns.  Naquele  sôfrego embalo castelhano, a maioria  perdeu o senso do ridículo e como o nome já o diz : baile do cabide ,  roupa é enfeite que não  vigora.
Alguns mais recatados  resistiam em baixar o calção (cueca na época ainda não existia). Mas como não pode faltar, alguns só animavam  o entrevero.  E os músicos, não se fizeram de rogado e, largaram um vanerão daqueles de saltar os "butiá dos borços".
Foi grito de alegria , uma espécie de euforia incontida , que  vazando pela janela entre-aberta  alertou algumas gurias que andavam  pelo pátio. Claro, uma era a Daio e a outra a Neusa Konflanz.  Pararam em frente ao prédio e olhando para o segundo piso,  avistaram o MALAQUIAS ( incendiário), que gritou para as gurias : "Subam que o baile é público e tá bombando "( na época esse termo ainda não existia). As meninas,  aos pulos chegaram na porta e  querendo entrar deram um empurrão na porta, daqueles de Polícia Federal,  em boca de fumo.  Nossa sorte era o VALDOMIRO DALLABRIDA , que além de ajudar a cantar em dupla com o gaiterio, cuidava a porta  para evitar "intrusos". Foi aí que aconteceu a tragédia.
O professor de disciplina ( se fosse o de zootecnia), percebendo o ruidoso arrasta pé, chegou na porta  como delegado em casa de "zona" e deu um chega prá lá nas  gurias, não permitindo a entrada (ainda bem), mas   o fato já estava consumado: todos com   um olhar de "pata choca", se entreolhavam enquanto o ALTINO  "fazia uma averiguação visual".  A situação era  deprimente: alguns  só de calção, outros  tentando se  reorganizar (recompor) o fardamento.  Outros,   numa vergonha  asseverada, tentavam  espairecer sem conseguir.  Por momentos  houve um silêncio  entrecortado pelo barulho de um butijão de gás , que estava sendo trocado na cozinha, logo abaixo.
Para surpresa do chefão de disciplina , UMA CINTA ,  continuava estirada no chão  enquanto   nenhum  dançarino   alegava sua posse.  Foi então que devagarinho, detrás daquela  porta, tão  habilmente cuidada,  foi saindo  o JOVELINO DALLABRIDA, num "peru sem igual"   dizendo :" é minha a cinta!" Aquilo  foi a confisssão mais leal de um sujeito em vias de ser "preso".
Naquele instante, todos estavam  preocupados   pois  o "Jovem", como era chamado,   ocupava  a  primeira linha  no quesito  disciplinar, e certamente,  esse evento iria manchar sua  "ficha"  de bom menino.
Na verdade o dito professor, tomado  de surpresa, até esse momento, quase não tinha esboçado nenhuma frase que  culpasse alguém ou  que demonstrasse irritação.
Para surpresa de todos, olhou  firmemente  para todos e baixando a cabeça ao levantá-la proferiu :" voces não tem  jeito mesmo"... Ainda  proferiu algumas frases,  determinando que  precisava falar com alguns e que os demais, estavam livres e o  baile acabou por aí.
- A cinta  pelo que sei , foi  confiscada pela escola: os bailes só saiam em locais  mais  escondidos, os músicos continuaram  no abrilhantamento  dos referidos eventos  e o MALAQUIAS, que era "danado" de festeiro  não  continuou o curso no ano seguinte.
Esse foi um dos fatos   que aconteceu na época!
Ah! a Daio e a Neusa, até hoje  tem "traumas  de bailes"...
O professor ALTINO, continua ser nosso grande amigo e companheiro dos ex-alunos, reconhecendo nossa  intenção quando do Mandiocaço, no qual se fez presente. Obrigado pelo grandeza professor. Seu nome poderia chamar-se ALTIVO.
Participantes do baile do cabide (alguns estão na foto acima na quadra de esportes da escola).

Edegar Cavalheiro - Fiscal da Sala
Valdomiro Dallabrida - porteiro e cantor
Malaquias -  dono do Baile e animador
Altamir, Ilison e Mastela - músicos
Jovelino, Bugio, Carlini, Xavier, Artêmio, Tâmbara, Picolé ,  Erlei, Dirceu, Anselmo....
Acho que o  Roque Andreolla  também participou.

TEXTO DO ALTAMIR ANTONYNI  E A FOTO DO SEU PRECIOSO  BAÚ.

3 comentários:

  1. Altamir,recebi um Chasque eletronico do Paraná me informando que o baile do MALAQUIAS era uma copia fiel do baile do "CEGUINHO"que ficava nas proximidades do cemitério novo(hoje velho)onde a turma do Koler,Zulmiro e outros iam dançar.Segundo conta a lenda,que para entrar não era problema,o difícil era sair.
    Abraços da Daio

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  2. Na verdade,o Prof. Altino, ao perceber que o diretor da época Alcides Lucion (Frei Clarêncio) digia-se para a escadaria rumo a sala onde ocorria o evento, em debalada carreira ultrapassou o diretor, numa manobra só comparada ao saudoso Ayrton Senna e com isso, o diretor desistiu do flagrante. O Prof. altino salvou a nossa pele, pois se o flagrante tivesse ocorrido pelo diretor, o Dirceu Firigollo e eu, estariamos arrancando tocos na escola fazenda até hoje. Desse episódio, fomos chamados pelo Prof. Altino para uma conversa e no final, não recebemos nenhuma punição, face aos nossos antecendentes. Mas se o Diretor tivesse presenciado a cena, certamente todos os cavalheiros envolvidos teriam sofrido uma punição. Bons tempos aqueles.
    Jovelino Dallabrida

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  3. Jovelino,o diretor era o professor Miron.O borburinho era tão grande que eu fui barrada e empurrada, tive os meus dedos apertados na porta.Consegui ver uma cinta jogada no meio da sala...Transcorridos 38 anos e conversando com amigos em Ijuí soube que a dita cinta era tua.

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