sábado, 3 de março de 2012

O PROJÉTEIS - O CONJUNTO MUSICAL DO IMERAB

O IMERAB  FOI  UMA ESCOLA  QUE DANDO ESPAÇO E LIBERDADE AOS JOVENS, FACILITOU A FORMAÇAO E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO PELA TROCA DE EXPERIÊNCIAS. Favoreceu  a criatividade,  a sociabilidade, a cooperação  e o respeito mútuo...
... No início da década de 60, a modernização do Brasil e o desenvolvimento das telecomunicações tinham causado o crescimento das cidades e o desenvolvimento de uma cultura urbana, sintonizada com os acontecimentos políticos, sociais e culturais de outros países. A música pop nacional conquistaram amplas parcelas de nossa juventude desde o final dos anos 50, influenciando posteriormente os cantores e compositores da jovem guarda e do tropicalismo junto com a música dos Beatles, dos Rolling Stones. Assim, chegavam ao país, novos costumes e uma nova moda: cabelos compridos, calças justas para homens e minissaias para as mulheres e o questionamento de valores tradicionais. A segunda metade da década vem caracterizada como o tempo da “Paz e do Amor”- A geração Hippye.
CONJUNTO MUSICAL “OS PROJÉTEIS” – CEJAI – IMERAB- IJUÍ –RS. – música para nossos ouvidos ...Um dos orgulhos do Centro Estudantil José de Alencar de Ijuí, o Cejai, nos anos 70 foi a existência de um conjunto musical,  criado dentro da Escola e cujos integrantes eram , também, alunos da Instituição.
O CEJAI, como lembramos anteriormente, no blog, foi um dos Centros estudantis mais organizados do Estado e quiçá do país, servindo  inclusive os seus estatutos, como modelo às demais  agremiações de estudantes.  O Cejai, foi fundado em junho de 1969 com o nome de Centro Estudantil José de Alencar de Ijuí, nome este   dado pelo professor de Matemática Eugênio José Krutul. Na verdade este centro  foi criado a partir da junção de duas organizações  estudantis já existentes na Escola : o CEATI, dos Técnicos Agrícolas e o GEAB,  que congregava  ESTUDANTES  do Curso Normal Rural.


Diretoria do Cejai  na foto de despedida da gestão do Clóvis e André...
Naturalmente, essa fusão,favoreceu  e facilitou o crescimento da entidade, motivando  um avanço significativo   em termos de estrutura e organização, numa época em que falar ou exercer uma função numa agremiação estudantil, era  preocupante.
O Cejai sempre  atuando dentro de um padrão do movimento estudantil organizado e, buscando  auxiliar seus associados,  passou a ser,  na escola, uma organização  cujos propósitos eram  baseados nos princípios da liberdade e responsabilidade dos alunos,interligados aos labores  e atividades  escolares e extra escolares.  Nesse sentido é importante destacar a existência de muitos  departamentos  que em verdade, eram  locais de trabalho relativos e atinentes às atividades  da instituição mãe: O Imerab. Particularmente,  departamentos como o  cultural, de música, o artístico, o esportivo, compras e abastecimento,  funcionavam  como estruturas de  auxílio ao propósitos  e aos princípios  à Pedagogia Escolar.  Penso que essa interdisciplinaridade  que recebemos, contribuiu  para o desenvolvimento de vários aspectos. Uma formação especialmente, para que ao longo de nossa vida, pudéssemos elaborar pensamentos autônomos e críticos, além de  formular os próprios valores.
Assim o conjunto musical foi criado inicialmente com o objetivo principal de  acompanhar  os membros do Mini-show, cujas apresentações eram baseadas em danças rítmicas e músicas. Como tal foi criado em 1968/69, inicialmente com instrumentos  muito simples e até beirando aos rudimentares, para ser sincero. Os primeiros componentes foram : Odilar Meneguini (guitarra base), Brunildo Wenzel (guitarra solo), Verner Ristow (bateria). Aqui estamos falando   em guitarras, para ser generoso e não assustar aos leitores. Entretanto, o início mesmo, foram com dois violões, um de chave e outro de torno de madeira. A bateria, para se ter uma idéia do instrumento,foi uma invenção de  alguns denodados e criativos usando de um tambor da banda da Escola, um bumbo,  caixa e tarola, ferros de construção, muita solda, alguns dias  na oficina da Escola Fazenda e, estava criada o modelo de batera marca “Mandioca.”ou a M1. Obs.: a este instrumental  aliava-se um acordeom de 80 baixos, paleteada pelo Herton Gutheil.
     Integrantes do Mini-show  no palco do Salão Nobre para     apresentação – 1972.
Com denodo, ensaios e boa dose de idealismo, esses  rapazes começaram a fazer sucesso, animando  bailes nos salões onde o departamento artístico  apresentava-se. É bom lembrar que nessa época, poucos conjuntos, aqui em Ijuí dispunham de  equipamentos elétricos /eletrônicos. A animação era toda na garra e força do desempenho  pessoal.
Até de ônibus de linha o Grupo encarava os desafios e animava  bailes no interior de Ijuí.
A partir de 1969, por meio do presidente do Cejai foi adquirido alguns  equipamentos que deram mais visibilidade e versatilidade ao grupo.  Salienta-se que a partir daí o Centro estudantil  contratava bailes e festas para  animar e  entregava o ofício aos estudantes  que  desempenhavam   suas atividades e recebiam  um valor pelo “trabalho”. A partir daí o grupo musical já tinha um nome: OS PROJÉTEIS....
Como grupo musical, naturalmente  buscava seu repertório em  conjuntos  em evidência no centro do País: Dos FEVERS, provavelmente seria  o grupo  que mais músicas eram  tocadas. A voz do Tadeu, parecia-se muito a do Almir. Renato e seus Blue Caps, os Incríveis de Netinho e &, também faziam a cabeça dos Projéteis...Mesmo assim  interpretando músicas de outros grupos, procurava-se  impor algumas características peculiares do grupo. Em Ijuí, havia rivalidade entre o mesmos.   Com “os Sechulorum” , mesmo com uma grande amizade entre os componentes,    nas escolas as preferências eram manifestadas.  Com os Espiões, de Santo Angelo,  dentre outros... 
Por definição singular projetil significa algo  belicoso, que fere, de guerra.... Entretanto o verdadeiro significado de projéteis (plural) foi adotado  pelo conjunto por tratar-se de  aquilo que  permanece em movimento - Que foi projetado para ir longe, se possível ao infinito ....
Não devemos esquecer que na década de 60/70,durante a ditadura militar,  e nesta época qualquer manifestação de jovens era  imediatamente submetidas a uma espécie de  censura prévia. Então, o nome sugerido ao conjunto   suavizou   o sentido  sutil  adotado. De outra parte vivíamos o período  das viagens à lua e a pretensa conquista do espaço.
Já destacamos a formação original que ainda contava com o Ademir Stefanello como técnico e montador.

Grupo original dos Projéteis  com Ademir na batera, Herton no baixo, Meneguini Guitarra base e Brunildo na guitarra solo – 1969. 
A partir de 1971, com a chegada de dois fortes componentes houveram muitas mudanças. O Tadeu Rospide deu uma nova cara ao grupo, especialmente pelos solos de guitarra e seu timbre de voz. De outra parte  o Argemiro Taglietti como tecladista,  encorpou  o conjunto  melodicamente. Este período  ficou marcado nos componentes pois o Cejai após várias reuniões obteve permissão para adquirir novos equipamentos. O próprio presidente (Ildo Trevisan),viajando de ônibus, trouxe em mãos  um teclado novo (Arbon), adquirido em Novo Hamburgo.
Outro presidente que deu muito respaldo ao conjunto foi Clóvis Rorato de Jesus. Adquiriu um”equipamento de voz” marca Sonelli, além de uma guitarra Apollo e uma Gianinni , um verdadeiro líder. Autorizou, e pagou (pela tesouraria), durante as férias de verão 71/72 aulas de contra-baixo, para um futuro componente, em vista da saída do Herton.
Anildo Postal,  igualmente, foi um dos presidentes que empenhou-se para  dar ao grupo todas as condições   possíveis. Nesse período destacamos o tesoureiro Pedro Pittol, o qual, sem falta, efetuava, nos domingos após os trabalhos, o acerto dos contratos quando pagava os componentes... (dinheiro no bolso é... vendaval)...

Velha Kombi que nos levava para os recantos do Rio Grande até idos de 1972...

Destaca-se igualmente   o compromisso desses rapazes, pois  em plena “ glomour da Juventude”  sem as facilidades de hoje, especialmente nas comunicações, encaravam em pleno sábado à tarde uma velha Kombi, carregada de equipamentos jogavam-se  “prá  dentro” e iam no encalço dos compromissos.
De tanto “apanhar” da velha  Kombi,  conquistamos uma  enorme melhoria no transporte ao contratar a Veraneio  Ouro do Sr. Edmundo Wülfer . Desta data em diante a questão transporte ficou resolvida...

Imagem de uma camioneta  idêntica a que nos transportava , na época.

Tem-se tantas histórias para serem contadas que naturalmente no blog vai ficar complicado.
Um dos aspectos que mais nos  deixava orgulhoso em poder participar do grupo era a amizade  entre os componentes. Cada um sabia das fraquezas e das fortalezas dos parceiros. Claro, alguns eram mais  amigos  mas, tanto nas horas de ensaio como nos trabalhos no palco, o que contava era a parceira , por isso, era denominado de Conjunto...com efeito,não dá para deixar fora  de pauta   as paixões das gurias (algumas) pelos rapazes(alguns) do conjunto. Especialmente o Guitarrista Odilar Meneguini, que cantava e encantava as meninas com suas canções apaixonadas: Amada amante, Santa Ludia, Jesus Cristo.... e por ai vai...
Mesmo nos bailes, que eram iniciados com músicas mais  POP, MPB depois vinha um poupouri de sambas, cantadas pelo Tadeu... e lá pelas 02 da madrugada, quando a guitarra solo do ”Vermelho de campo Novo”  arranhava  umas notas indicando MÕNICA... AI MEU Deus, o tempo fechava no meio do salão e, aí “Salve-se quem puder”.  Vou entregar o Artemio que, deveria cuidar dos instrumentos,  nessa hora, se embrenhava (ele é baixinho) para o meio da sala com uma  paquera já conquistada e aí só retornava  se precisasse “soldar um cabo” aliás o soldador já estava  no ponto...

Grupo Musical com alguns componentes  substitutos. – Na foto: Verner, Altamir, Postal, Maria Lúcia, Vlmar, Tadeu e Artemio.


Nestes embalos muitos namoros, noivados e até casamentos  foram patrocinados  em consequência  do  som dos Projéteis. Na Fidene,  na época em que o Francisco Baggio era o diretor social,    animamos  mais de 20  eventos. Durante os cursos de férias, o Diretório oferecia  uma opção para o divertimento e  aproveitava para faturar com os alunos de outros estados e municípios.
Em 1973 com a saída do Odilar, já formado e trabalhando em Tuparendi  ficou um pouco mais difícil a situação do conjunto. Mesmo assim, para cumprir contratos, ele  vinha de ônibus aos sábados pela manhã  e, juntava-se à turma. A partir de 1974, com a formatura do Tadeu e do Argemiro, aí sim o grupo musical, como tal, teve uma forte e dura subtração.  Foram feitas algumas tentativas de substituir e continuar,  com outros  alunos, todavia  foi difícil encontrar  os valores   dos  antecessores.  Em 1976/77, O Cejai,  vivenciando outros momentos, onde o FENAFEA era uma promoção de nível Estadual e Nacional, concluiu-se   em vender os equipamentos,  pois estes como conjunto   não  se viabilizava mais, em todos os aspectos. E  assim, como um projétil que ao ser disparado  descreve uma curva  parabólica, o  conjunto  chegou à decrepitude, ou seu final... mesmo assim, permanece  nos arquivos das mentes dos manioqueiros.  Quem viu ou ouviu, não esquecerá!
Como não conseguimos  encontrar nenhum   banner (na época cartaz) dos Projéteis resolvemos fazer uma homenagem à todos os mandioqueiros com um  Banner novo, com as mesma idéia do original....
BANNER  DO GRUPO MUSICAL OS PROJÉTEIS.... 1969/1975/2012



Nosso antigo cartaz de divulgação não foi mais encontrado. Com alumas lembranças  recriamos este.

Componentes do conjunto:                         Mais tarde;
 Original – Herton Sérgio Gutheil                   -  Altamir Antonini
               -  Odilar Meneguini                            -  Odilar Meneguini
               -  Brunildo Wenzel                              - Tadeu Rospide
               -  Verner Ristow                                  - Argemiro Taglietti
               -  Ademir Stefanello                            - Verner Ristow  e Artemio Antonini                                                                                          
                                                                                                 
        Por fim
              - Altamir Antonini
              - Luis Carlos Souza
              - Cleto Leonardo
              - Celso Leonardo

Ex- alunos  e professores  aos quais os projéteis eternamente agradecem:
- Otélio Busanello, Ildo Trevisan, Valmor Gelatti, Pedro Pittol , Anildo Postal, Eugenio Frizzo, Clóvis Rorato de Jesus, Tânia Lucchese, Maria Lúcia Ricshter, Nair Heinen, Sirley Golim, Lenir Gutheil,  Cleusa Pulgatti, Maria do Rosário Grando, Vera Lúcia  Fonseca,  Nadir Guetz, Lúcia Sartóri, João c. da Silva,.... entre outros... Uma Homenagem (in memórian) especial ao Herton Gutheil um grande companheiro falecido em 2010.
Professores: Nossa sempre educadora  Dolair Callai - Dora Casarin, Sidnei Feijó, Isaac R. Fróes, Olívio Hermes,  Maestro Verza... Rui P. Pinto, entre outros.
Essa coisa de ir para a frente olhando para trás – e sem trombar em nada que estivesse  por diante – é bem um traço característicos daquela geração, no qual nós mandioqueiros,  somos provavelmente, os  legítimos representantes..

Como Esquecer?!
Uma Escola que foi muitas vidas...Uma época em que os jovens mostravam suas descrenças na sociedade mas adotavam como símbolo de suas manifestações o Amor e Paz...
Os anos em que, apesar da censura, a liberdade brotava sobretudo na criatividade, nos ideais, na busca de um futuro melhor...
Um baile em Tucunduva, outro lá em Caibat... em que todos foram aos batatais, depois da dor de barriga.
Vários na Fidene, no Clube Ijuí, com as meninas da Escola tinindo...em Ibirubá, colorado, Em Catuípe, onde o Verner até hoje , lembra com remorso do varal de roupas...Até em São Paulo (das Misssões), com a Kombi do Beal furando cinco pneus...
Uma banda que apesar do nome de conjunto  configuravam vários conjuntos... Dos sambas, das lentas, das loucas (Rock’ in roll), os amassos...
Uma amizade pautada na confiança, nas confissões e confidências ( as vezes maldosamente gravadas)...Os ensaios, as novas músicas “tiradas” na ponta da caneta - tocadas e cantadas com um timbre  de voz para encantar... Tadeu...
Uma aparelhagem  de som que só funcionou às 2:15 da matina, no RU da Fidene, (Artemio)...
Uma sobrecarga para todos  enquanto o organista namorava (Argemiro, Esquina Pratos)...
Uma canção que marcou os corações das gurias da escola... e & (Amada Amante, e...)
Uma atenção especial do dono do restaurante Lambari mediante o discreto pedido de um prato especial do Tadeu (Carpano)...Uma apresentação na praça(mico) mas que no íntimo, nos orgulhava...
Uma guitarra, um microfone de 10W (???) uma canção do Roberto (Meneguini)...
A velha batera que tamborilava no ritmo e, no final  dos bailes, era convocada e “surrada” artisticamente como que comemorando um  grande  e fim de baile (Verner)...
Um baixo que o próprio nome  diz, pois pouco tinha a fazer, apenas algumas notas.(Altamir)...
Um baixinho que além  de namorar e instalar o som (e que som),também pitava... e dava pitacos...
Enquanto existir bailes os músicos, serão sempre os primeiros e únicos...
Enquanto existir esperança certamente haverá a certeza de mais um baile...da vida...
Enquanto existir juventude, os Projéteis continuarão em sua trajetória...
Silenciosamente! Sendo escutados nos drives... de nossas memórias...

Texto - Altamir Antonyni - Ijuí - RS
Fotos e Legendas - Altamir Antonyni - Ijuí - RS

5 comentários:

  1. Altamir:
    Parabéns por tão boa memória e trazer para os dias de hoje - às novas gerações- a importância dos PROJÉTEIS. Além de levar o nome do IMERAB e do Município para outros lugares, " despedaçava corações".
    BONS TEMPOS QUE JAMAIS ESQUECEREMOS.
    VERA LUCIA FONSECA - IJUÍ

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  2. Altamir!A felicidade dos adolescentes no conjunto musical,assim como seus papéis sociais no grupo,ficaram gravados para sempre na personalidade.

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  3. COM CERTEZA OS PROJÉTEIS ESTARÃO PRESENTES NO NOSSO PRÓXIMO MANDIOCAÇO.
    LUIS CARLOS LUNKES

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    1. Espero que sim.No 1º Mandiocaço só encontrei o Altamir Antonyni, Tadeu Rospide e o Argemiro Taglietti. Faltou o grande vocalista Odilar, o baterista Verner,e o guitarrista Brunido Wenzel.

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  4. É BOM DEMAIS SABER QIE ESTA HISTORIA DO DO EMERAB NAO FOI EM VAO ASS CLETO LEONARDO

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