segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

INCONSTÂNCIA (Florbela Espanca).

Florbela Espanca 


Procurei o amor que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava.
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Um sol a apagar-se e outro a acender
Nas brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há de partir também... nem eu sei quando...

- Florbela Espanca, in O livro de Sóror Saudade (1923).

2 comentários:

  1. Gostei desse "resgate" nas palavras dessa poesia.
    Vera Lucia- Ijuí

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  2. Eu gosto da INCONSTÂNCIA e da gravura da autora com o gatinho branco.É claro que a poesia é linda, e muito me identifico com ela.

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