segunda-feira, 16 de maio de 2016

SAUDADES...SAUDADES...SAUDADES...

                                     
                                    

                                       
                                       Resultado de imagem para IMERAB                                                              Saudades.....
"Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,de pessoas com quem nunca mais falei ou cruzei...
Sinto saudades dos que se foram, e de quem não me despedi direito!...Daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
...Sinto saudades das coisas que vivi e das coisas que deixei passar sem curtir na totalidade.Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...não sei onde...para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi..."

Clarice Lispector

terça-feira, 29 de março de 2016

CHASQUE ELETRONICO DO BALNEÁRIO CAMBORIU - SC.



 Para os  Mandioqueiros Sessentões e Sessentonas do
 IMERAB.


PARA MAIORES DE 60 ANOS

(e para os que vão chegar lá)

1. É hora de usar o dinheiro (pouco ou muito) que você conseguiu economizar. Use-o para você, não para guardá-lo e não desfrutá-lo com aqueles que não tem a menor noção do sacrifício que você fez para consegui-lo. Geralmente as pessoas que não estão sequer na família: genros, noras, sobrinhos. Lembre-se que não há nada mais perigoso do que um genro ou uma nora com ideias. Atenção: não é tempo para maravilhosos investimentos, por mais que possam parecer, eles só trazem problemas e é hora de ter muita paz e tranquilidade.

2. Pare de preocupar-se com a situação financeira dos filhos e netos. Não se sinta culpado por gastar o dinheiro consigo mesmo. Você provavelmente já ofereceu o que foi possível na infância e juventude como uma boa educação. Agora, pois, a responsabilidade é deles.

3. Não é mais época de sustentar pessoas de sua família. Seja um pouco egoísta, mas não usuário. Tenha uma vida saudável, sem grande esforço físico. Faça ginástica moderada (como andar regularmente) e coma bem.

4. Compre sempre o melhor e mais bonito. Lembre-se que, neste momento, um objetivo fundamental é de gastar dinheiro com você, com seus gostos e caprichos e do seu parceiro. Após a morte o dinheiro só gera ódio e ressentimento.

5. Nada de angustiar-se com pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam bons momentos para serem lembrados, sejam os maus, que devem rapidamente ser esquecidos.

6. Independente da idade, sempre mantenha vivo o amor. Ame o seu parceiro, ame a vida, ame o seu próximo ... LEMBRE-SE !! "Um homem nunca é velho enquanto lhe resta a inteligência e o afeto".

7. Seja vaidoso. Cabeleireiro frequente, faça as unhas, vá ao dermatologista, dentista, e use perfumes e cremes com moderação. Porque se agora você não é bonito, é, pelo menos, bem conservado.

8. Nada de ser muito moderno. É triste e doloroso ver pessoas com penteados e roupas feitas para os jovens.

9. SEMPRE mantenha-se atualizado. Leia livros e jornais, ouça rádio, assista bons programas na TV, visite Internet com alguma frequência, envie e responda "e-mails" use as redes sociais, mas sem estresse ou com vício. Chame os amigos.

10. Respeite a opinião dos JOVENS. Muitos deles estão melhor preparados para a vida, como nós quando estávamos com a sua idade.

11. Nunca use o termo "no meu tempo¨. Seu tempo é agora, não se confunda. Pode lembrar do passado, mas com saudade moderada e feliz por ter vivido.

12. NÃO caia em tentação de viver com filhos ou netos. Apesar de ocasionalmente ir alguns dias como hóspede, respeite a privacidade deles, mas especialmente a sua. Se você perdeu o seu parceiro, obtenha uma pessoa para ir morar com você e trabalhar com as tarefas domésticas, e tomar esta decisão somente quando não mais possa dar de si e o fim esteja próximo.

13. Pode ser muito divertido conviver com pessoas de sua idade. E o mais importante, não vai funcionar com qualquer um. Mas sim se você se reunir com pessoas positivas e alegres, nunca com "velhos amargos".

14. Mantenha um hobby. Você pode viajar, caminhar, cozinhar, ler, dançar, cuidar de um gato, de um cachorro, cuidar de plantas, cartas de baralho, golfe, navegar na Internet, pintura, trabalho voluntário em uma ONG, ou coletar alguma coisa. Faça o que você gosta e o que seus recursos permitem.

15. ACEITE convites. Batizados, formaturas, aniversários, casamentos, conferências ... Visite museus, vá para o campo ... o importante é sair de casa por um tempo. Mas não fique chateado se ninguém o convidou. Certamente, quando você era jovem também não convidava seus pais para tudo.

16. Fale pouco e ouça mais. Sua vida e seu passado só importam para você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja breve e tente falar sobre coisas boas e agradáveis. Jamais se lamente de nada. Fale em um tom baixo, cortês.Não critique qualquer coisa, aceite situações como elas são. Tudo está passando. Lembre-se que em breve voltará para sua casa e sua rotina.

17. Dores e desconfortos, apresentará sempre. Não os torne mais problemático do que são. Tente minimizá-los. No final, eles só afetam você e são problemas seus e do seu médico .. Lamentações nada conseguem.

18. Permaneça apegado à religião. Mas orando e rezando o tempo todo como um fanático, não conseguirá nada. Se você é religioso, viva-o intensamente, mas sem ostentação. A boa notícia é que "em breve, poderá fazer seus pedidos pessoalmente."

19. Ria-se muito, ria-se de tudo. Você é um sortudo, você teve uma vida, uma vida longa, e a morte só será uma nova etapa, uma etapa incerta, assim como foi incerta toda a sua vida.

20. Não faça caso do que dizem a seu respeito, e menos do que pensam de você. Se alguém lhe diz que agora você não faz nada de importante, não se preocupe. A coisa mais importante já está feita: você e sua história, boa ou ruim, seja como foi. Agora se trata de uma jubilação, o mais suave, em paz e feliz possível.

E LEMBRE-SE:
"A vida é muito curta para
beber vinho ruim."

(Autor desconhecido)

 Texto enviado pelo Mandioqueiro Orlando .

terça-feira, 22 de março de 2016

IMEAB - HOJE

A história da Educação Profissional no IMEAB é mais antiga do que a própria escola.Isso porque, na década de 30, foi inaugurada,onde hoje é o IMEAB, a Colônia Modelo, com o objetivo de auxiliar a produção agropecuária de Ijuí e da região, com novos métodos racionais de trabalho e realização de experiências no setor.
Já em 1943, a Colônia Modelo foi substituída pelo Curso Normal Rural, voltado para a formação de professores com preparo especial para a zona rural; e, em 1962, foi implantado o Curso Colegial Agrícola, antecessor do Curso Técnico em Agropecuária.
Durante o período de 1960 a 1990, também foi oferecido o Curso Técnico em Economia Doméstica, tendo por objetivo formar pessoas habilitadas em arte, habitação,vestuário, saúde e alimentação, cuja atuação estava voltada para o meio rural.
O Instituto Municipal de Ensino Assis Brasil - IMEAB, antigo IMERAB, é a única escola de Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Ijuí e, por isso, assume características diferentes das demais. Desde 1973 oferece, na Educação Profissional, o Curso Técnico em Agropecuária, reformulado em 2012, estando hoje integrado ao Ensino Médio. Fundado sob a mesma base de formação geral, o universo do trabalho é visto a partir das variadas áreas, cada uma trazendo sua contribuição para a formação geral do educando.
Atualmente, o Instituto atende mais de 1.200 alunos, distribuídos nos diferentes níveis e turnos, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental ( 1º ao 9º ano), o já mencionado Curso Técnico em Agropecuária, integrado ao Ensino Médio, além de turmas de EJA.
A estrutura do Instituto conta com duas salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), uma sala para alunos com deficiência visual e outra para alunos com dificuldades intelectuais e motoras. Nesse contexto, o IMEAB destaca-se pela disponibilidade do Curso Técnico integrado ao Ensino Médio e das técnicas que visam à inclusão.
Em paralelo ao desenvolvimento das atividades curriculares são oferecidas aos educandos, no turno inverso das aulas normais, oficinas de futsal, basquetebol, reciclagem, música (violão, flauta,violoncelo e bateria). Essas oficinas oportunizam aos educadores desenvolver habilidades que no melhor desempenho nos estudos.
A escola passou por uma reforma predial, que teve como foco a acessibilidade, visando proporcionar melhor atendimento aos alunos com necessidades especiais.
Atualmente, a escola está constantemente desafiada a repensar sua prática pedagógica, pois o contexto social, econômico, político e cultural assim o exigem. A educação escolar contribui para a democratização social e política da sociedade ao possibilitar aos educandos o saber, o desenvolvimento das capacidades cognitivas para a atuação no trabalho e o domínio das tecnologias na conquista dos direitos à cidadania.
Vivemos a Era da Informação, porém, o grande desafio hoje é transformar a informação em conhecimento. A contextualização do conhecimento retira o indivíduo da condição de espectador passivo, levando-o a pensar e aplicar os conhecimentos a partir de múltiplas ações.
A pesquisa leva os educandos e professores à constante atualização, buscando formas de solucionar problemas e se manterem atualizados nas novas descobertas e avanços. nesse processo de constantes inovações tecnológicas, organizacionais e gerenciais, é premente a necessidade de o homem transformar e adequar a natureza às suas necessidade, o que requer cada vez mais conhecimentos metódicos e sistemáticos,capazes de promover a unificação entre culturas e trabalho, que não se restrinja ao caráter produtivo, mas que abranja dimensões comportamentais, humanas e intelectuais.
O IMEAB, dentro da sua longa história, promove a formação continuada para professores, funcionários e pais, com o objetivo de qualificar, informar e orientar todos os segmentos da comunidade para que o trabalho coletivo, com foco na aprendizagem, ocorra de forma coletiva, coerente com a realidade do Instituto e do contexto social.

Diretora: Miriam Beck
Vice: Simone B. Friederichs e Zeni M. S. Portella
Coordenadoras: Cledi Pelisson, Denise S. de Oliveira, Fabiana Grenzel, Marli Paixão, Marilan Ristow, Patrícia Teixeira.

Revista do Mandiocaço página 9

domingo, 20 de março de 2016

NOTÍCIA - PORTAL IJUÍ.COM ( PORTAL DO PROFESSOR HILÁRIO)

Aos 89 anos, falece Alcides Lucion, ex-diretor do Imeab

Dom, 20 de março de 2016
O professor Alcides Lucion (foto) faleceu às 14h30 deste domingo, 20, em um Casa de Recuperação, em Panambi. Alcides Lucion foi diretor do Imeab, professor da Unijuí, vereador e presidente do PMDB. A seguir mais informações. Foto: Arquivo Ijui.com
Faleceu às 14h30 deste domingo, 20, o professor Alcides Lucion.

Ele estava com a idade de 89 anos e estava internado em uma Casa de Recuperação, em Panambi.

O velório acontece a partir das 19h na Funerária Lupatini, situada na av. Davi José Martins, nas imediações do HCI, em Ijuí.

Os atos fúnebre acontecem a partir das 14h30 desta segunda-feira, 21.

O professor Alcides Lucion deixa a esposa e professora Terezinha Schneider Lucion, os filhos Ana Paula Schneider Lucion de Luccas, Tiago Luís Schneider Lucion, Maria Cristina Schneider Lucion e os netos Luana, Taila e Ana Carolina.

OBS. Mais notícias no portal.ijuí com

sábado, 19 de março de 2016

NO IMERAB ACONTECIA DE TUDO

Cheguei em Ijuí no mês de abril de 1964, transferido da Escola Técnica Rural "Emílio Zuneda", de São Luiz Gonzaga, para o Curso Colegial Agrícola do IMERAB.Minhas funções seriam substituir o professor Carlos Rivaci Sperotto, hoje presidente da FARSUL, que alegava não dispor de tempo para lecionar a disciplina de Criação de Animais Domésticos.
Naquela oportunidade vim fazer parte de um grupo de quatro professores Técnicos Estaduais cedidos ao IMERAB.Éramos o Hélio Amadeu Beal, disciplina de Agricultura; Adroaldo Hartmann, Horti-fruticultura; Honi Vogt, Mecânica Agrícola; e eu Izacc Froes, para a criação de Animais Domésticos.
A tarefa era grande, mas a direção e o entusiasmo do Frei Clarêncio, de Tapejara - professor Alcides Lucion, obteve-se sucesso e crescimento nesse período. A Escola, com o empenho de todos, tornou-se admirada, elogiada e reconhecida no Estado e regiões do Brasil.
Nesse processo coube a mim, além das aulas teóricas e práticas, a função de dirigir e orientar a construção das instalações para o setor de criação da Escola Fazenda, bem como  a aquisição de reprodutores para melhoria das raças de bovinos e suínos, tarefa de muita responsabilidade. O trabalho teve sucesso graças à participação de todos e, em particular dos alunos que, em sua maioria, eram excelentes, elevando e levando o nome da Escola por toda a parte aonde foram atuar, exercendo diferentes atividades e funções.
Naquele tempo muitos professores eram solteiros e residiam na Escola, assim como também o diretor e a maioria dos alunos, pois eram internos.Formávamos " uma família", como se dizia na época, disponibilizando-nos integralmente à Escola. Assim, acompanhávamos os alunos em atividades extraclasse, quando permitidas pela direção, tanto sociais, como recreativas e esportivas. Neste particular, lembro-me de dois fatos pitorescos.
Em 1964/65, a Escola possuía um excelente time feminino de vôlei, porém a desenvoltura das alunas nas competições, torneios e campeonatos intercolegiais era prejudicada, a nosso ver, pelo uniforme. As meninas usavam blusa branca e saia plissada, azul, uniforme permitido pela Madre e Irmãs, que eram responsáveis pelo internato feminino.
Com o argumento de que as meninas jogariam melhor ainda e estariam menos expostas a vexame em jogadas que exigissem maior disponibilidade de movimento, fomos à direção pleitear para que as atletas pudessem usar calça, short ou calção durante as partidas, o que após muita argumentação, terminou sendo aceito.
Anos depois, bom e competitivo era o time masculino de futebol de salão. Nas competições intercolegiais as  torcidas adversárias, por represália, tentavam intimidar nossos atletas gritando a plenos pulmões  " MAAANDIOQUEIIIOS!" Esta expressão deu origem  a " MANDIOCAÇO", termo usado atualmente, para designar o encontro, a confraternização de ex-alunos do Instituto.
O segundo fato pitoresco de que lembro é que naquela época os alunos com falta disciplinar, julgado pela direção, recebiam como "castigo" algumas tarefas a serem realizadas.
Em certa oportunidade coube-me dar a tarefa ao faltoso, isto num sábado à tarde. Fomos à Granja, na Linha 4 Leste.À esquerda de onde mais tarde seria a sede da Escola Fazenda ficavam o potreiro, um galpão rústico/depósito de rações e uma meia água onde estavam as cocheiras para seis ou sete vacas.
Chegando lá informei ao aluno faltoso a tarefa que teria que desempenhar:" vais pintar a cal, internamente, todas as cocheiras, os cochos e as divisórias...TUDO, TUDO, que depois de pronto venho conferir". Saí e fui ver outros assuntos vinculados ao desenvolvimento dos projetos.
Depois de certo tempo o aluno veio ao meu encontro informando que havia acabado, tinha pintado TUDO...Fui conferir...Só que havia duas vacas holandesas presas nas cocheiras e ele, realmente tinha pintado TUUUDO. inclusive as vacas, em especial suas manchas pretas!!!
Mas minha história pessoal precisa ser concluída....
Após mudanças que ocorrem na equipe diretiva do IMERAB fui transferido para assumir a Direção da Escola Estadual de 1º Grau " Rui Barbosa", o Ruizinho, em Ijuí mesmo, onde trabalhei até minha aposentadoria.
Izaac Froes
Ijuí - RS
Revista do Mandiocaço página 41.

quarta-feira, 9 de março de 2016

EXTERNAS x INTERNAS

Eu, VERA LÚCIA FONSECA, fazia parte das alunas externa, pois residia em Ijuí, mas alimentava um sonho - o de conseguir um dia, pernoitar no internato, visto que escutava muitos fatos pitorescos e gostosos.
Eis que uma de minhas amigas, Marli Vicentini ( carinhosamente chamada de Baixinha), convidou-me para um pouso, num fim de semana, período em que sobravam leitos, pois muitas alunas iam para seu local de residência.
A diversão que tínhamos naqueles momentos era escutar música em um radinho de pilha. Para nosso espanto, o locutor interrompeu o programa e noticiou o programa e noticiou uma triste realidade: um acidente com ônibus da empresa Stadler, na ponte entre a cidade de  Ijuí e a cidade de Ajuricaba.
Em meio ao choro da amiga Baixinha, o nosso consolo por ela não estar junto, pois era esse ônibus e horário que ela costumava ir para casa.
Em resumo, concretizei meu sonho de passar uma noite no internato, mas o melhor foi que minha colega e amiga - por não ter ido para casa naquele final de semana, salvou-se da tragédia, onde várias pessoas morreram afogadas.

Vera Lúcia Pretto
Ijuí - RS.
Revista do Mandiocaço página 39.

segunda-feira, 7 de março de 2016

SAUDADES DE UM TEMPO QUE NÃO VOLTA MAIS

O grupo de jovens que ingressou no IMERAB em 1970, buscando a formação de Técnico Agrícola,era numerosa, dividido em duas turmas ("A" e "B"), as, quais, no terceiro ano em 1972, foram unificadas.
O curso era ministrado em período integral, ensino excelente, digno de nota dez, com louvor. Os docentes eram capacitados, dedicados, determinados, persistentes, gostavam do que faziam, e permanentemente reciclavam seus conhecimentos. A prova cabal de tudo isso é o saudosismo que restou naqueles que passaram pelos bancos escolares do IMERAB.
Ensino de boa qualidade constrói fundamentos sólidos, valores éticos e morais, conhecimentos acadêmicos capazes de assegurar condições de prosseguir os estudos em curso superior, em qualquer área do conhecimento.Os colegas do Assis Brasil foram contemplados com essa formação maravilhosa e prosseguiram no ensino superior, mestrado, doutorado, em diversas áreas.
Decorridos mais de 40 anos muita coisa aconteceu, o mundo mudou, hoje vivemos outra realidade tecnológica e os conceitos sociais  são diferentes. As transformações não foram poucas e, para acompanhá-las, os sessentões fazem exercícios diariamente.
Mas vamos retornar ao IMERAB, dar um passeio pelos jardins, praticar esportes, jogar futebol no campo de terra, ou na quadra rústica de asfalto, sem cobertura. Ao toque da sirene, ir ao refeitório ou para as salas de aula. Também faziam do aprendizado as aulas práticas realizadas na Escola Fazenda.
Nos dias em que tínhamos aulas práticas o motorista do caminhão cinza, com bancos de madeira feitos de tábuas encaixadas nas duas laterais da carroceria, com logotipo nas portas - um favo de abelha com os dizeres: " Ijuí: Colmeia do Trabalho" - deixava o veículo preparado, em local e hora certos. E lá vinha a turma para embarcar, sorridente,feliz, alegre, como se estivesse embarcando num avião executivo. Havia, contudo, regras a serem observadas: o lugar na cabine, ao lado do motorista, era espaço privado do professor; na carroceria, quando o caminhão estivesse em movimento, era terminantemente proibido levantar, tanto é que não há registro de acidente no que pese o transporte ser rústico, em carroceria aberta.
Um belo dia, mais uma aula prática na Escola Fazenda ...A matéria era Práticas e Oficinas Rurais,ministrada no segundo ano do curso Técnico Agrícola, para a qual o aproveitamento do aluno não era registrado em nota, mas em "conceito de suficiência". A turma chegou à fazenda e foi direto para a oficina de madeira - uma marcenaria bem montada, na qual, sob a orientação do mestre, nesse dia iríamos construir pequenas banquetas.
Todos concentrados na atividade, que era individual - cada um iria construir sua própria banqueta. Serravam, lixavam, colavam, parafusavam,cumpriam as etapas para ver o produto acabado.Mas, de repente, em frente à oficina encostou um ônibus enorme, com 40 assentos, totalmente lotado de alunas de um colégio de freiras, uma mais linda que a outra, bonequinhas, verdadeiras dádivas da natureza.
A turma de rapazes, ao ver as lindas moças, ficou perplexa, atônita, parecendo não crer no que estava vendo, mas a reação foi instantânea e a vontade coletiva imperou de forma absoluta.Os jovens, esquecendo-se do mestre, da oficina, das banquetas, foram em direção das moças com quem mantiveram diálogos animados, sem sequer olhar para trás e, pior, ficaram surdos às advertências e chamamentos do professor, que ficou sozinho na oficina.
Aquele quadro não foi confortável para o professor e tampouco para as freiras, que logo foram tratando de recolher as moças para o ônibus, e partiram em seguida. Na despedida, porém, não faltaram abraços, beijos e acenos de mão.
Recompondo-se, mas ainda em ruidosa conversa, a turma voltou para a oficina. Ao irem entrando, os alunos foram paralisando... o mestre os aguardava para acerto de contas.Com a ira à flor da pele, destilou veneno e, cabisbaixos, em silêncio, todos ouviram a admoestação que durou alguns minutos.
No encerramento das atividades da aula prática era necessário deixar tudo organizado, com cada ferramenta no quadro, em seu lugar específico. Como algumas ferramentas ficavam extraviadas no meio da serragem , deu muito serviço para localizá-las, mas ao final, deu muito certo e retornamos ao colégio, chateados com a bronca do professor, mas felizes com a visita inesperada.

Ivo F. Cardoso
Técnico Agrícola ( 1970 - 1972) 
Bauru - SP

Revista do Mandiocaço página 19

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

MINHA ESCOLA - O IMERAB

O encontro de confraternização dos ex-alunos do IMEAB, demonstrou que a convivência fraterna entre as pessoas, principalmente entre os jovens, é educadora. Lá estavam presentes, ex-alunos, funcionários e ex-funcionários, professores e ex-professores, vindos de todas as partes do Brasil, numa demonstração de afeto, de saudades e de boas lembranças.
Essa demonstração de amizade é baseada nas lembranças e na vivência de tantos anos da direção da Escola, seus professores e alunos, internos e externos, garotos e garotas que juntos, construíram a tarefa educativa, de aprendizagem e de vida em uma grande família.
Este evento possibilitou reviver as amizades, a confraternização, a apresentação dos familiares/descendentes.Trouxe, também, relatos de fatos passados e colocados em comum, uma espécie de rastros deixados por quem lá passou.
O IMEAB é uma escola ímpar na construção da cidadania, e da profissionalização porque conseguiu forjar na consciência de seus alunos, professores e funcionários sentimentos de convivência, de carinho, de respeito, de solidariedade e de muita responsabilidade. Isso tudo creditado a uma instituição de ensino municipal criada como escola de capatazia rural, cujo objetivo era atender as demandas dos filhos de agricultores.
Todos que ali passaram, assim como eu, certamente conseguiram, nessa convivência, construir o caráter e projetar seu futuro. Lá cheguei aos 15 anos de idade, vindo do interior, como quase todos os outros filhos de pequenos agricultores. Nessa escola passei quatro anos interno, fazendo o curso Normal Rural, o que me possibilitou assumir, como professor na cidade de Pratos/Tucunduva. Retornei ao IMEAB em 1967 como professor e novamente interno, assim como  outros docentes solteiros. Novamente uma grande família se formava. Nela, além das aulas, auxiliava na administração da escola e da granja. Nesta segunda etapa, mais seis anos se passaram na mesma filosofia de trabalho. Nesse tempo, além do trabalho, assim como vários colegas, cursei a faculdade de Pedagogia, depois a de Direito. Apenas em 1972saí da escola para assumir funções na Cotrijuí e lá desempenhei funções muito próximas às do IMEAB porque, junto aos agricultores associados e suas famílias, atuava em educação e comunicação. E essa dupla experiência me possibilitou entender melhor as relações humanas em uma grande empresa que, além de produzir riqueza, tinha por missão manter e propiciar aos milhares de agricultores associados a compreensão de suas atividades dentro dos princípios do cooperativismo.
Hoje continuo na mesma luta, com o mesmo segmento social, apenas em uma esfera mais ampla, como presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS.
Aproveito essas lembranças para registrar aqui a convivência humana, saudável e educativa de um grupo  que viveu intensamente o IMERAB, no período 1967/1972: o diretor Alcides Lucion, os colegas que já nos deixaram e de quem ficaram saudades e boas lembranças: Ciro Andreoli de Moraes ( nosso compadre), Eugênio Krutul, Sidnei Feijó, Frei Libório, Arnaldo Drews, dona Olga, Vitoldo, Edo Heidrich, Hélio Beal, Felipe Grando, Roni Voigt, Assunta Dallabrida, Lidia Possani, Teresza Burmann, Tarcísio Grando...E, ainda, os que por aqui estão e com os quais é possível realizar trocas e reforçar as vivências daquela época: Issac Fróes e Claudete( compadres), Arnaldo Dunke e Chica, Mario e Lizete Noronha de Moura, Rosa Carlini de Moraes (comadre), Nelci Carlini Feijó, Marlene François, Waldir Andriguetto, Adroaldo Hartmann, João Carlini Neto, Beatriz e Geder Rossato, Bruno Scheneider, dona Amábile Montanher...

Rui Polidoro Pinto - Ijuí/Poa.
Revista do Mandiocaço página 23

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

PROMESSAS

Lembro-me que no meu primeiro ano de IMERAB, em 1980, as avaliações eram mensais e a média para aprovação nas disciplinas era sete.
Estávamos no terceiro bimestre e analisando nossas notas - Harald Balmer, Jair João e eu, constatamos que estávamos um pouco abaixo da média e já estávamos no mês de agosto. Preocupamo-nos e resolvemos fazer um pacto - dar duro nos estudos para passarmos de ano. E fizemos uma promessa caso conseguíssemos alcançar nosso objetivo: depois de receber as notas com aprovação, teríamos que sair de Ijuí e caminhar até Cruz Alta - minha terra natal.
Pois bem, estudamos muito, fomos aprovados e fizemos a caminhada. Saímos de madrugada, num domingo, um dia bem quente...fomos caminhando e contando histórias do ano que findava, dos campeonatos de futebol, basquete e handebol que participamos, dos dias de aula e das festas que fizemos pela cidade. Bem, saímos pelas cinco horas da manhã e chegamos em Cruz Alta pelas deis horas da tarde. Até aqui tudo bem... o problema foi que os guris eram de pele branca e imagina só a cor que chegaram lá!!! Minha mãe teve que fazer compressas com sal e vinagre para colocar nas costas dos viventes...
Depois de descansarmos algumas horas e damos muitas risadas com o feito, os voltaram ainda no mesmo domingo, no ônibus das 22 horas, enquanto eu fiquei em casa.
Um abração!

João Marcelo ( Mexicano)
Técnico Agrícola - Ano de 1980 - 1983.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

IMERAB 1971 x IMEAB 2016

No ano de 1971 chegavam ao IMERAB ( Ijuí -) jovens estudantes de diversos municípios  do RS, unindo-se ao grupo que residia em Ijuí, a fim de cursar 0 " 2º grau" no Curso Técnico de Economia Doméstica ( CTED). Cheias de sonhos e com força de vontade para realizá-los formaram uma turma seleta de alunas dedicadas e estudiosas.
Após três anos de aulas teóricas e práticas, somando mais seis meses de estágio, aplicando com segurança e responsabilidade, além dos hábitos adquiridos nas aulas ministradas por excelentes professores, que eram também, bons orientadores, amigos e conselheiros, chegamos, em 1974, à tão esperada formatura, provando que os sonhos não ficam adormecidos. Hoje, as participantes de nossa turma estão espalhadas por diversas cidades  do Brasil, testemunhando a formação do caráter e da personalidade, sedimentados neste " nobre instituto" de ensino.
A base curricular do CTED era composta por disciplinas  teóricas e práticas entre elas, Vestuário ( aprendemos a confeccionar roupas...), Nutrição ( pratos saborosos, preparados e degustados),Decoração ( apreciamos belos ambientes), Música ( formação de " coral de vozes "), e Técnicas Agrícolas, com aulas na Fazenda Modelo.
Para irmos à Fazenda éramos levadas na carroceria do caminhão da Escola, sentadas " confortavelmente" em bancos de tábua, mas dava sensação de estarmos em " macios sofás", pois a alegria do grupo era contagiante. O interessante era que, para subir na carroceria, quando íamos a Fazenda, era fácil e rápido.Após a execução das atividades práticas na horta, no pomar e das caminhadas nos campos, porém, pelo " cansaço" das árduas tarefas realizadas precisávamos de " ajuda" dos alunos de Técnicos Agrícolas (TA) para subirmos na carroceria do " amado caminhão" e retornar à Escola. Os alunos de TA  iam à Fazenda antes de nós, mas, algumas vezes, retornávamos na mesma viagem. Era uma festa...Que legal!
Diante deste relato, muitas outras boas lembranças  me vêm à memória e isto me leva a agradecer a Deus, aos meus pais e aos colegas por ter sido aluna do" IMERAB," hoje "IMEAB."
Abraço a todos!

Neusa Konflanz - Soledade - RS.
Revista do Mandiocaço -  página 28.
 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

LEMBRANÇAS

Fiz o Curso Normal e formei-me em 1970, no IMERAB. Segui no Magistério, fiz Curso Superior e até 2010 atuei como professora de Português.
Lembro com saudades dos bons tempos do IMERAB, em especial de passagens no tempo de internato, como uma da hora de dormir...
Pontualmente às 21 horas, a Irmã fazia a oração e desligava a luz... a Maria Lenir esperava um tempinho e, pé por pé, vai para o banheiro, fecha a porta para não perturbar as colegas e se póe a fazer crochê. Dali a pouco, passos no corredor... é a Irmã voltando da capela... rapidamente, pé ante pé, " puft " a Maria Lenir já está na cama outra vez, e fica ouvindo os resmungos..." essas meninas não tem jeito mesmo, já disse quantas vezes para dormirem de luz desligada... não adianta, precisam deixar a luz do banheiro acessa. Deve ser alguma medrosa ". Entra para desligar a luz e a Maria Lenir??? na cama... " dormia profundamente", coberta até a cabeça.

Uma saudação especial a todos os colegas!

Maria Lenir Weiler - Ijuí - RS.
Curso Normal Rural ( 1967-1970). 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

AS ATLETAS TRAPALHONAS

Dentre os inúmeros fatos e peripécias que recordo com muito carinho dos anos vividos no IMERAB (1971-1973) registro um que, sem dúvida,demonstra a disposição de superação e de compromisso com a Escola.
Todos os anos em Ijuí/RS, eram realizados os Jogos da Primavera, e as escolas podiam participar nas diferentes modalidades. No Ftsal  (futebol de salão) sempre contávamos com ótimos atletas, pois os nossos meninos (mandioqueiros) eram bons de bola.Nas demais modalidades, conseguíamos alguns resultados positivos, porém, as escolas particulares investiam muito, patrocinando alunos/atletas com destaque, o que fazia a diferença nas competições.
Uma das escolas famosas na área esportiva era o Colégio Evangélico Augusto Pestana (CEAP). A estrutura física da escola era incrível e investia em todas as modalidades, inclusive em ginástica olímpica. Como a pontuação geral dependia da participação no maior número de modalidades, era evidente a sua chance de ser campeão dos Jogos da Primavera.
Nossa escola, querido IMERAB, contava apenas com a raça de nossos atletas, que eram apaixonados por esportes e faziam o impossível para obter êxito nas competições.
Em 1972, nossa professora de Educação Física, Ingrid Mensch Müller , mulher lindíssima, decidiu que deveríamos nos preparar para competir no maior número de modalidades e, assim tentar acumular mais pontos na contagem geral dos jogos. Com esta disposição conseguiu umas caixas, que empilhou umas sobre as outras(plinto), onde passou a treinar algumas alunas de Economia Doméstica para ginástica olímpica, que consistia em salto sobre o plinto(1,10m, com afastamento) e ginástica de solo. Em apenas dois meses deveríamos estar "tinindo" para representar a escola. Destaques nesta modalidade foram Neidinha Golin e Eu ( Evani Fontana Cardoso) que, segundo seu ponto de vista, reuníamos as melhores condições para realizar os exercícios estabelecidos. Com persistência, treinamos muito no curto espaço de tempo que nos separava do grande dia, quando seria nossa estreia como atletas de ginástica olímpica.
Ao chegar ao ( CEAP ) encontramos as atletas das outras escolas, com lindas malhas, sapatilhas, cabelos bem alinhados e com a leveza dos atletas desta modalidade e nós Neidinha e Eu, com uniforme da escola, que consistia  numa camiseta, schorts  de balão (aqueles com elástico nas pernas), uma meia branca até o joelho e um tênis ( aqueles de ponteira branca). A diferença era visível e o resultado não poderia se diferente.
Iniciamos com ginástica de solo... nossa parada de mão toda torta, as pernas não ficavam esticadas como deveriam e os olhares, risos, nos deixavam ainda mais certas de que o fiasco estava garantido. Na sequência, o famigerado salto sobre o plinto ( cavalo ). Primeiro fui eu. Num esforço descabido, que acabou rompendo um ligamento do meu pé, consegui passar sobre o aparelho, mesmo tendo raspado a parte traseira. Afinal um metro e dez com afastamento de pernas não é coisa para qualquer um!!! Na sequência era a vez da minha querida colega Neidinha. Como o seu tênis estava atrapalhando , tirou-o e ficou com o meião. Dado o sinal, segui em disparada rumo ao aparelho. Ao pisar no trampolim para impulsionar o salto( que era de madeira e liso) escorregou e foi com a barriga sobre o aparelho. Ficou branca como um papel, prestes a desmaiar de dor ( e de vergonha também). Foi preciso muita massagem, vento e água para recobrar os sentidos. Assim, encerramos nossa curta trajetória de atletas de ginástica olímpica, mas naquele ano a nossa escola não ficou sem representação, mesmo que tenha sido de duas Ginastas Trapalhonas.

Evani Cardoso Dalla Valle
Juína - Mato Grosso.
Texto  revista do MANDIOCAÇO pág. 22.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A VACA CENSURADA

Era o ano de 1972, período marcado por forte repressão da ditadura militar. Praticamente não tínhamos  conhecimento de prisões, censura da imprensa, e outras coisas do gênero.Seguidamente, porém, se ouvia ou se lia alguma informação de combate entre exército e guerrilheiros, prisão ou extradição de algum político. Mas era algo tão distante e manipulada que tudo parecia normal e que tinha que ser assim mesmo. O "normal" era ser patriota, saber de cor o Hino Nacional e marchar bem no dia 7 de setembro. Eu cursava nessa época a IV série do curso Normal Rural. 
O CEJAI tinha a circulação interna do jornal " O Elo". Nele eram publicadas notícias, conhecimentos gerais, informações das atividades do Grêmio Estudantil e havia, também,uma página dedicada ao humor.
O jornal era datilografado em folhas matrizes e mimeografado. Tirava-se a quantidade de cópias que a matriz suportasse.
Eu gostava de desenhar caricaturas engraçadas de colegas ou acontecimentos que continham situações inusitadas. Isso me rendeu alguma fama, sendo convidado a fazer parte humorística do jornal. O povo gostava das piadas e caricaturas e eu fui me entusiasmando. Com frequência alguém pedia para fazer o desenho de um desastrado, só para todos zoarem do "coitado".
Naquele ano houve a eleição para prefeito.Os candidatos eram o nosso diretor Alcides Lucion e o Emídio Perondi.Como envolvia alguém tão próximo e para e para muitos alunos, inclusive eu, era a primeira eleição em que votaria, a propaganda transmitida pelo rádio era acompanhada como um Grenal transmitido pela Rádio Guaíba, narrado pelo saudoso Pedro Carneiro Pereira. Cada radinho era circulado por tanta gente quanto o mais distante conseguia ouvir. Havia aqueles que iam " no bolo para matar algum bidu". Se alguém fumava os biduzeiros ficavam ao seu redor, ele se coçava para tirar o cigarro do bolso e o indivíduo ao lado gritava: - " matei o bidu"! Outro pretendente retardatário, meio desanimada, gritava: - " matei o segundo"! Quando a queima chegava na metade voltavam a importunar: " Capricha aí meu...está acabando como bidu..."
Mas voltando ao assunto, a campanha entrou na polêmica por causa de uma vaca holandesa, de exposição, muito bonita, chamada JULIANA, a qual fazia parte do plantel do gado leiteiro do IMERAB.Não sei por que " cargas d`água" a vaca causou tanto reboliço. Era acusação de cá, defesa de lá. Imaginem...por causa de uma vaca. Pensando bem, deveria ser falta de assunto, já que tudo era censurado e reprimido...
Mas aquele assunto foi um prato cheio para minha folha de charges. Lembro que desenhei uma com o touro junto com a vaca JULIANA. Outras duas estavam longe, sentindo-se rejeitadas.Uma disse para outra:
- " Depois que a JULIANA ficou famosa, o touro ( não lembro o nome) não liga mais para nós".
Noutra charge a vaca havia ido a uma exposição e o touro cantava:
- "Com saudades da JULIANA quase perco La tramontana".
Entreguei a matéria para o Juvelino Dalabrida eao Frizzo, editores do jornal. Eles a consideraram muito boa.
Eu aguardava ansioso a distribuição do jornal. Aquela matéria foi a minha obra-prima. Com certeza faria o maior sucesso. Pensava, na minha ingenuidade, que poderia ter repercussão até na cidade. Quem sabe o Correio Serrano não me contrataria e eu poderia comprar cigarros à vontade, comprar uma roupa nova. Acabaria aquela penúria de passar seco o mês inteiro. Porém, quando distribuíram o jornal, qual não foi minha surpresa ao ver que não constava a dita página de humor. Fui falar com os editores e ao pé do ouvido, eles me explicaram o que havia ocorrido:"Deu o maior rolo, mandaram nós arrancar a página para o jornal poder circular".
O jornal depois de pronto,era levado aos professores, que passavam " o crivo" para liberarem a circulação.Olhando entre as folhas via-se ainda junto aos grampos, restos da folha arrancada. E o pior: avisaram que poderíamos se presos por desrespeito às instituições e às eleições. Passei umas três noites sem dormir direito.Daí em tão entendi até onde chegavam os tentáculos da ditadura...
E a JULIANA? Dizem que foi vendida depois do pleito, já que o nosso diretor perdeu a eleição. Andou lá por Palmeiras das Missões e fez muito sucesso nas exposições de gado leiteiro.

( Texto da revista do Mandiocaço pág.34)
Autor: Egídio Abitante
Estudante do IMERAB ( 1969-1975)
Cursos Normal Rural e Técnico Agrícola.
Mora em São Gabriel do Oeste - MS

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

COMO ERAM AS AULAS NO IMERAB

Como vim parar aqui?.....
Vivia na cidade de Porto Xavier - RS e fui assistir a apresentação de uma escola de Ijuí. Era o Mini-Show do Instituto Municipal de Educação Rural Assis Brasil. Conversei com alguns componentes do grupo e fiquei sabendo sobre a ESCOLA. Me entusiasmei pelo curso de Economia Doméstica e vim em busca de preparação para a vida, como profissional, esposa, mãe e dona de casa, e foi o que o curso me proporcionou.
O que eu mais gostava era das disciplinas técnicas. Tínhamos vontade e responsabilidade com a aprendizagem, respeitávamos os professores, e nos esforçávamos em aproveitar ao máximo o que nos era ensinado. Não havia problema de disciplina, nem desrespeito entre colegas. Para nós o mais importante era sermos boas alunas/pessoas do bem.
O curso era em tempo integral e éramos internas, o que fazia com que tivéssemos maior convivência com as colegas, tornando-nos quase irmãs, e nossos professores considerados como pais, visto que todas nós éramos de longe e a distância da família nos levava a buscar socorro junto a uns e outros.
Nos intervalos das aulas trocávamos receitas,amostras de crochê e de trabalhos manuais. Umas ensinavam as outras... era uma troca de saberes, sem competição, como se estivéssemos em família.
O que me deixa feliz nos encontros de ex-colegas é saber que todas as colegas são pessoas bem sucedidas e de bem!

Claudete Maria Feier Fróes
Curso de Economia Doméstica ( 1972 - 1975)
Texto da primeira revista do Mandiocaço pág 42.
 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O LEGÍTIMO BLOG DOS MANDIOQUEIROS ESTA VOLTANDO....



          

Na bela cidade "Ijuí" que outrora  recebeu de braços abertos  muitos estudantes de vários municípios do RS para estudar na escola municipal agrícola,  "IMERAB", novamente  com a tradicional hospitalidade, vem recebendo os pimpolhos de outrora,  (que com o passar dos tempos são, hoje,  muitos senhores e senhoras), para o tradicional encontro de ex- colegas de escola, denominado MANDIOCAÇO. Não vai ser necessário explicar a origem do nome do encontro, mas vale lembrar que o nome surgiu numa reunião em 2010,  num grupo de amigos   de Ijuí, onde a Vera Lúcia Pretto e o Adenir Sebastiani foram os mentores da criação do nome que deu origem ao tradicional evento.
O MANDIOCAÇO de Ijui- RS é um grande acontecimento na cidade, do qual tive a honra de participar  em 2010 e 2012. No dia 20 de dezembro de 2015 ocorreu o 3º mega encontro reunindo, na antiga escola fazenda, muitos e muitos ex alunos  "Mandioqueiros".
Na ocasião do 3º MANDIOCAÇO, foi apresentada a revista do mandiocaço, com a organização da prestigiada educadora DOLAIR AUGUSTA CALLAI. A revista substitui o livro que o Sr. Alcides Lucion sonhava em editar, pois dedicou grande parte de sua vida ao educandário.
" Compor esta Revista constituiu-se  em desafio, mas ao mesmo tempo, foi muito agradável por poder reviver os tempos em que estive na Escola ( 1968 - 1971), rever mentalmente os alunos, os colegas, professores  relembrados nos textos, sentir o quanto o querido IMERAB  espalhou excelentes frutos por este Brasil  "AFORA".
Dolair Augusta Callai ( Organizadora da primeira revista do Mandiocaço).
Daio - Porto Alegre - RS.