quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

AS ATLETAS TRAPALHONAS

Dentre os inúmeros fatos e peripécias que recordo com muito carinho dos anos vividos no IMERAB (1971-1973) registro um que, sem dúvida,demonstra a disposição de superação e de compromisso com a Escola.
Todos os anos em Ijuí/RS, eram realizados os Jogos da Primavera, e as escolas podiam participar nas diferentes modalidades. No Ftsal  (futebol de salão) sempre contávamos com ótimos atletas, pois os nossos meninos (mandioqueiros) eram bons de bola.Nas demais modalidades, conseguíamos alguns resultados positivos, porém, as escolas particulares investiam muito, patrocinando alunos/atletas com destaque, o que fazia a diferença nas competições.
Uma das escolas famosas na área esportiva era o Colégio Evangélico Augusto Pestana (CEAP). A estrutura física da escola era incrível e investia em todas as modalidades, inclusive em ginástica olímpica. Como a pontuação geral dependia da participação no maior número de modalidades, era evidente a sua chance de ser campeão dos Jogos da Primavera.
Nossa escola, querido IMERAB, contava apenas com a raça de nossos atletas, que eram apaixonados por esportes e faziam o impossível para obter êxito nas competições.
Em 1972, nossa professora de Educação Física, Ingrid Mensch Müller , mulher lindíssima, decidiu que deveríamos nos preparar para competir no maior número de modalidades e, assim tentar acumular mais pontos na contagem geral dos jogos. Com esta disposição conseguiu umas caixas, que empilhou umas sobre as outras(plinto), onde passou a treinar algumas alunas de Economia Doméstica para ginástica olímpica, que consistia em salto sobre o plinto(1,10m, com afastamento) e ginástica de solo. Em apenas dois meses deveríamos estar "tinindo" para representar a escola. Destaques nesta modalidade foram Neidinha Golin e Eu ( Evani Fontana Cardoso) que, segundo seu ponto de vista, reuníamos as melhores condições para realizar os exercícios estabelecidos. Com persistência, treinamos muito no curto espaço de tempo que nos separava do grande dia, quando seria nossa estreia como atletas de ginástica olímpica.
Ao chegar ao ( CEAP ) encontramos as atletas das outras escolas, com lindas malhas, sapatilhas, cabelos bem alinhados e com a leveza dos atletas desta modalidade e nós Neidinha e Eu, com uniforme da escola, que consistia  numa camiseta, schorts  de balão (aqueles com elástico nas pernas), uma meia branca até o joelho e um tênis ( aqueles de ponteira branca). A diferença era visível e o resultado não poderia se diferente.
Iniciamos com ginástica de solo... nossa parada de mão toda torta, as pernas não ficavam esticadas como deveriam e os olhares, risos, nos deixavam ainda mais certas de que o fiasco estava garantido. Na sequência, o famigerado salto sobre o plinto ( cavalo ). Primeiro fui eu. Num esforço descabido, que acabou rompendo um ligamento do meu pé, consegui passar sobre o aparelho, mesmo tendo raspado a parte traseira. Afinal um metro e dez com afastamento de pernas não é coisa para qualquer um!!! Na sequência era a vez da minha querida colega Neidinha. Como o seu tênis estava atrapalhando , tirou-o e ficou com o meião. Dado o sinal, segui em disparada rumo ao aparelho. Ao pisar no trampolim para impulsionar o salto( que era de madeira e liso) escorregou e foi com a barriga sobre o aparelho. Ficou branca como um papel, prestes a desmaiar de dor ( e de vergonha também). Foi preciso muita massagem, vento e água para recobrar os sentidos. Assim, encerramos nossa curta trajetória de atletas de ginástica olímpica, mas naquele ano a nossa escola não ficou sem representação, mesmo que tenha sido de duas Ginastas Trapalhonas.

Evani Cardoso Dalla Valle
Juína - Mato Grosso.
Texto  revista do MANDIOCAÇO pág. 22.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário.